✎ Por Fernanda Fusco
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| Imagem gerada pela inteligência artificial MidJourney para o Fala, Prô! |
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| Imagem gerada pela inteligência artificial MidJourney para o Fala, Prô! |
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| Imagem meramente ilustrativa gerada pela inteligência artificial MidJourney para o Fala, Prô! |
O espaço é entendido sob uma perspectiva definida em diferentes dimensões: a física, a funcional, a temporal e a relacional, legitimando-se como um elemento curricular. A partir desse entendimento, o espaço nunca é neutro. Ele poderá ser estimulante ou limitador de aprendizagens, dependendo das estruturas espaciais dadas e das linguagens que estão sendo representadas. (Sabores, cores, sons, aromas: A organização dos espaços na Educação Infantil, p. 35)
Se tem uma coisa que alguém que vive no Brasil sabe é que este país não é para amadores. Desde 2018 (ou 2016, com o golpe?), as terras Tupiniquins têm experimentado o gosto amargo do fascismo no poder e, com a perspectiva de uma mudança advinda das eleições de 2022, muitas e muitos de nós deixaram a ansiedade negativa de lado para dar lugar à esperança de um país que sai mais uma vez no mapa da fome e volta a abrigar um lugar de destaque por suas políticas educacionais.
| Foto por Fernanda Fusco, 2019. Imagem meramente ilustrativa. |
Não sei quantas/os de vocês, educadoras e educadores, ficaram surpresas/os com o resultado do primeiro turno das eleições (escrevo esse texto para o Fala, Prô! há um dia do segundo turno), mas quando digo que esse país não é para amadores é porque ele é o único que tem terraplanistas elegendo um astronauta vendedor de travesseiro.
Além disso, tem a candidata a vice-presidente, mulher com deficiência, que não se posiciona quando questionada se deve escolher entre uma pessoa que defendeu todas as políticas de inclusão/humanização de quem é como nós e um genocida que nos apagou do mapa. Até observei como a outra candidata de sua chapa nunca a deixou abrir a boca durante suas campanhas, nem sequer no Dia da Pessoa com Deficiência. Mas depois desse posicionamento dela eu "passei um pano", como dizem os jovens. "Passando pano pra latifundiária agro é pop - nova revelação do centrão brasileiro, Mayara?" Pois é. A que ponto chegamos!
Eu chamo esses pequenos recortes de representação do Brasil atual que, por vezes, não faz sentido algum. E se eu fosse política, que discurso faria na minha posse? Talvez aquele que salva o coração de muitas e muitos em tempos tão retrógrados como esses. Precisamos de centenas de Éricas, Mônicas, Sônias, Guilhermes e outrEs, gente como a gente, ocupando espaços! Precisamos do povo, desde pequeno, construindo o saber dentro de uma escola centrada nas potencialidades - ao invés de precisar passar seu tempo suplicando aos quatro ventos para que ela continue existindo.
Quantas vezes você já duvidou de si mesma/o? Assim começa o texto que marca o meu retorno ao Fala, Prô! depois de um hiato que teve: pandemia, retomada da vida e uma fugidinha "pras Europas" após de 4 anos sem férias. E por que eu estou contando tudo isso a partir de uma pergunta reflexiva dessas? Porque foi viajando que eu pude pensar sobre essa pergunta.
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| Toda plena na Rue de la Huchette, em Paris (07/2022). Clique aqui para ver mais! |
Passei 4 anos da minha vida me perguntando o que eu tinha ido buscar naquele curso, uma vez que a habilidade com o desenho e o atingimento da perfeição digna de grandes obras nunca foram mais do que um sonho de criança (que queria trabalhar na Abril e ser o Maurício de Souza nas horas vagas) totalmente frustrado. Como uma visão de mundo tão diversa poderia caber nisso tudo? Se o tempo todo ouvia de dentro pra fora e de fora pra dentro:
"No meio dessas pessoas você sofre menos se jogar com as artes que já domina: capacidade analítica e escrita. Porque você não é boa nas outras coisas."
Tentando jogar em um campo que me era desconhecido na prática (lápis, aquarela, papel, uma pitada de melancolia e a paciência que até hoje eu não entendo como todo artista tem) aprendi que, diferente do que me disseram, aquele não era lugar de experimentar e ser livre para criar. Aquele era um lugar para aprender a reproduzir padrões.
Apesar de dividir as opiniões do público, o Big Brother Brasil ainda é considerado o maior reality show do país, tendo batido recordes de audiência mesmo na sua 22ª edição. Agora você pode estar me perguntando: May, por que vamos falar sobre reality shows em um blog sobre educação? E eu te respondo: cada vez mais esse tipo de programa tem se mostrado como um recorte da sociedade atual, nos ajudando a refletir sobre os diversos comportamentos encontrados por aí.
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| Cast Offs, série de ficção protagonizada por pessoas com deficiência que satiriza os reality shows |
Então me responda sinceramente: quantos participantes com deficiência você já viu neste e em outros reality shows? Com certeza dá para contar nos dedos, né? Aqui no Brasil, por exemplo, Fernando Fernandes de Pádua foi o primeiro apresentador PCD em No Limite; mas enquanto participante, só sei da Marinalva, que é paratleta, modelo, palestrante, teve uma perna amputada e participou do BBB 17 (que eu não assisti). Ela ficou em quinto lugar na edição e, ainda por cima, sofreu várias doses de capacitismo por parte de um dos participantes, como mostra essa matéria, que pontua uma situação onde ela foi chamada de "cavalo manco".
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| Imagem meramente ilustrativa. Fonte: StockSnap. |
Por isso, decidi compartilhá-lo aqui com todas as educadoras e os educadores que acompanham o Fala, Prô!. Embora nem tudo neste texto fale do ambiente escolar, certamente os detalhes que o compõe servem como uma aula sobre a importância dos detalhes e da inclusão verdadeira na construção da cidadania. Para além disso, ainda acrescento aqui meu ponto de vista sobre como a escola pode ter um papel decisivo na hora de formar um cidadão (com uma deficiência ou não) que esteja apto para o trabalho.
Falar sobre inclusão da pessoa com deficiência ainda é um tabu, especialmente porque o Estatuto da Pessoa com Deficiência é relativamente novo. Sancionado em 6 de julho de 2015, o documento assegura os direitos das mais de 45,6 milhões de pessoas que possuem alguma limitação física ou cognitiva no Brasil.
No passado, era incomum notarmos a presença de PCDs em diversas esferas da sociedade. Atualmente, existe um crescente movimento de independência por parte das pessoas com deficiência que, se antes ficavam restritas ao cotidiano de suas casas, hoje estão cada vez mais indo às ruas para atividades ligadas à diversão, estudo e trabalho. Quando o assunto é inclusão no mundo corporativo, constatamos que apenas 1% dos brasileiros que possuem uma deficiência estão empregados em um trabalho formal. Grande parte desse déficit se dá graças ao baixo índice de aplicação das leis que protegem a pessoa com deficiência no país. Diante de dados como esses, vale a pena refletir sobre qual é o papel de cada um perante à inclusão, que deve ser uma luta de todos.
De acordo com a pesquisa do IBGE publicada no dia 10 de setembro de 2021, um(a) a cada sete estudantes de 13 a 17 anos já sofreu alguma forma de violência sexual. Mais de 70% desses casos acontecem dentro de casa e, com a pandemia e o isolamento social, crianças e adolescentes ficaram ainda mais vulneráveis a esse tipo de crime especialmente porque estavam afastados da escola e não conseguiam contar com a rede de apoio.
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Durante meus últimos anos na Educação Infantil, notei que algumas professoras e professores preferem se calar quando o assunto é educação sexual. Os motivos variam bastante: falta de conhecimento a respeito do tema, medo de as famílias reclamarem sobre a abordagem, não se sentirem tão à vontade justamente por considerarem um "tabu", preocupação com uma punição do (des)governo que deseja arrancar a proposta do currículo, pensar que crianças são puras e não têm sexualidade... Mas diante desses dados, das informações que temos e da nossa responsabilidade enquanto profissionais, nosso silenciamento é considerado negligência - afinal a escola também é ambiente de proteção!
Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. (Estatuto da Criança e do Adolescente)
Pensando nisso, hoje vamos refletir a respeito da importância da educação sexual na Educação Infantil, qual o nosso papel enquanto educadoras e educadores da primeira infância, como podemos identificar e denunciar situações de abuso e quais materiais podemos utilizar para aprofundar nossos estudos. Deixo aqui os meus agradecimentos à professora Dora Silveira, minha querida amiga que atua na rede pública municipal de São Paulo e que amanheceu um tanto preocupada assim que leu a notícia sobre os dados do IBGE, compartilhando comigo sua frustração; e à Márcia Trípodi, amiga e coordenadora pedagógica, que nos deixou algumas dicas de como a escola de educação infantil pode atuar frente a situações que ferem os direitos das crianças.