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Todas as publicações de Fernanda Fusco

06 agosto 2024

Agosto Dourado: A importância da informação sobre amamentação e do acolhimento de lactantes e bebês na escola

✎ Por Fernanda Fusco
O leite humano é o melhor alimento que bebês podem receber, já que fornece todos os nutrientes necessários para um desenvolvimento saudável, além de anticorpos e água. No entanto, embora devesse ser naturalizado e apoiado pela nossa sociedade (especialmente por ser uma questão de saúde pública), o aleitamento muitas vezes se transforma em um desafio para quem amamenta. As dores, a falta de informação, o retorno ao trabalho e a ausência de acolhimento são alguns dos obstáculos que lactantes precisam enfrentar, o que resulta muitas vezes no desmame precoce de bebês e/ou na introdução de fórmulas infantis ou compostos lácteos (que são alimentos ultra processados) sem que haja uma necessidade real para isso.

Imagem meramente ilustrativa gerada pela inteligência artificial MidJourney para o Fala, Prô!

O Agosto Dourado desempenha um papel crucial na promoção e apoio ao aleitamento humano, incentivando a conscientização sobre seus benefícios, o diálogo e dando visibilidade aos desafios enfrentados pelas pessoas que amamentam. O mês serve também como um lembrete da importância de promover espaços acolhedores e com boas informações (baseadas em evidências científicas) para que a amamentação possa ser uma experiência bem-sucedida.

Por isso, no podcast de hoje vamos mergulhar no universo do aleitamento humano, explorando os obstáculos enfrentados pelas pessoas lactantes; a importância da disseminação de informações, apoio e acolhimento; o papel das escolas na promoção e proteção desse ato tão essencial; e os avanços conquistados com a CEI Amigo do Peito, campanha educativa desenvolvida pela CODAE da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Confira nosso novo episódio clicando no play logo abaixo e, para mais informações, continue lendo esta publicação e acessando os links sugeridos!

Episódio desenvolvido como trabalho final para a disciplina de ATPA III ministrada por Thaís Brianezi do curso de Educomunicação (USP)

19 março 2023

Entrevista: Luciana Conceição, as Mini Histórias e reflexões sobre olhares e encantamentos

✎ Por Fernanda Fusco
Fala, professoras e professores! É com muita alegria que anunciamos o lançamento do primeiro episódio de nosso podcast no Spotify, que tem como intencionalidade estabelecer  diálogos com pessoas potentes de nossa área (ou até mesmo de fora dela!), conhecendo suas histórias e aprendendo com suas partilhas, estudos, reflexões e formas de enxergar o mundo!

Foto de entrevistada Luciana Conceição. Arquivo pessoal da educadora.
Hoje recebemos a coordenadora pedagógica e mestranda em educação Luciana Conceição, que tivemos o privilégio de encontrar em sua formação Mini Histórias: O ordinário da vida é o extraordinário. Conheceremos um pouquinho a respeito de sua trajetória na área, de suas concepções de infância e de ensino-aprendizagem, conversaremos sobre o valor do encantamento tanto para as/os educadoras/es como para incentivar nas próprias crianças e, é claro, saberemos mais sobre o que é essa forma de observar/registrar as descobertas das infâncias, as produções de culturas infantis e o desenvolvimento das crianças. Você pode acompanhar a entrevista tanto através de áudio como através deste texto, e trazemos também algumas dicas e imagens ao longo da publicação! 😉

Para ouvir o podcast completo, acesse o Spotify!

Seja muito bem-vinda ao nosso espaço, Luciana! Gostaríamos de conhecer um pouco sobre você: sua trajetória, de onde veio, sua formação e como chegou à área da educação.


Oi! Meu nome é Luciana Conceição, eu tenho 33 anos e resido na cidade de São Paulo. Minha primeira graduação foi em turismo e logo depois eu me especializei em gestão cultural. Em uma viagem - que eu chamo de uma "viagem de transformação de vida" - que eu realizei em 2014 pra Índia, eu migrei definitivamente para a área da educação (sempre com um foco na educação infantil). Me formei em pedagogia pela Faculdade de Educação da USP - logo após a viagem eu prestei o vestibular e ingressei na universidade - e atualmente eu faço mestrado em Educação, Linguagem e Psicologia também pela FEUSP. Lá eu tenho investigado as relações que se estabelecem entre as infâncias, o teatro, a cidade, a partir do processo criativo de um grupo de teatro pra crianças e como que essas relações ensejam novas formas de se pensar, de construir e de ver o mundo. E atualmente eu trabalho como coordenadora pedagógica.

25 fevereiro 2023

Vivências para facilitar a adaptação das crianças na Educação Infantil

✎ Por Fernanda Fusco
O primeiro bimestre do ano letivo é tradicionalmente conhecido nas escolas de educação infantil como o período de adaptação dos pequenos e pequenas, sendo planejado na semana de organização pelas/os educadoras/es e destacado na primeira reunião com as famílias. Embora seja um processo individual, em que cada criança leva um tempo diferente para se sentir acolhida, confiante e parte daquele novo grupo e ambiente, algumas vivências podem ser pensadas e oferecidas para facilitá-lo e fazer com que esse momento fora do seio familiar seja mais prazeroso e significativo!

Imagem meramente ilustrativa gerada pela inteligência artificial MidJourney para o Fala, Prô!
No post de hoje, vamos compartilhar algumas reflexões e possibilidades de vivências para realizar no período de adaptação considerando o início do ano letivo, mas que podem ser pensadas também para quando recebermos novas crianças na instituição! Ao longo da publicação, disponibilizamos também algumas dicas de vídeos e de leituras para ampliarmos os nossos olhares! Vem com a gente!

Você não precisa inventar a roda!

Não precisa planejar nada de mirabolante:
Faça com leveza o que já é habitual na escola!
É necessário termos em mente que, para facilitar o processo de adaptação das crianças, não precisamos fazer nada de inovador ou mirabolante. Na minha experiência enquanto educadora da infância, por exemplo, já participei de planejamentos onde cada dia da semana era pensado para oferecer uma experiência diferente (e a nível de escola!), como preparo de massinha caseira, receitas, confecção de brinquedos, gincanas, entre outras que beiravam atividades de recreação... No entanto, percebia que essas vivências acabavam ficando centradas na pessoa adulta (que era quem as direcionava) e em seu próprio tempo, sendo muito difícil acolher aquelas crianças que choravam ou que buscavam o aconchego de um colo.

18 fevereiro 2023

5 livros ilustrados para ler no carnaval com as crianças e outras possibilidades

✎ Por Fernanda Fusco
O Carnaval chegou e, se faz sentido para a comunidade onde a escola está inserida e é do interesse das nossas crianças, pode ser sim festejado desde que contextualizado de forma significativa, valorizando as mais variadas histórias e culturas de nosso país - afinal, diferente de outras datas comemorativas, as manifestações carnavalescas brasileiras são reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial pela UNESCO. Para refletir um pouco mais a respeito, acesse essa publicação da professora Maíra Braga!

Imagem gerada pela inteligência artificial MidJourney para o Fala, Prô!
No post de hoje, deixaremos dicas de 5 livros ilustrados para lermos com as crianças (tanto neste mês como ao longo de nosso ano letivo) e algumas possibilidades. A partir das obras que selecionamos, além de contextualizarmos esse e outros temas e contribuirmos para aumentar o repertório cultural da molecada, também podemos realizar propostas para desenvolver outras habilidades e competências. Mas é sempre importante lembrar que nem todos os momentos de leitura devem ser acompanhados por alguma vivência, especialmente se queremos desenvolver a estratégia de leitura deleite (ou leitura por prazer)!

Fevereiro (Carol Fernandes)

Em Fevereiro, da autora e ilustradora Carol Fernandes, acompanhamos os preparativos para o Carnaval de Salvador pelo olhar de um garotinho que observa tudo o que está acontecendo em sua casa: para ele esse mês é marcado pelo desfile dos Filhos de Ghandy, o maior grupo de afoxé da Bahia. As ilustrações transmitem uma sensação de movimento e fluidez, e são belamente coloridas em tinta guache com destaque para o branco e o azul de Iemanjá, que também são as cores do bloco. O livro foi dedicado à Gilberto Gil, compositor da canção Filhos de Ghandi, e trata também a respeito da descoberta, da tradição e da ancestralidade. Clique aqui ou na imagem ao lado caso tenha interesse em comprar!

06 fevereiro 2023

Como construir um espaço acolhedor e esteticamente agradável para as crianças da Educação Infantil

✎ Por Fernanda Fusco
O ano letivo já começou e uma das nossas preocupações enquanto educadoras/es da infância é a de como preparar um espaço acolhedor para receber a garotada. No entanto, ainda é constante cairmos na armadilha de reproduzir estéticas muito presentes no senso comum sobre o que é uma escola da/para infância e com o que as crianças se identificam: tons coloridos e vibrantes, murais decorados em eva, personagens de desenhos infantis, tatames espalhados para evitar o contato com o chão, brinquedos e mais brinquedos feitos de plástico, salas entupidas com mesas e cadeiras... Mas será que essa estética, comumente confundida com um falso conceito de ludicidade, atende às nossas intencionalidades e revela a nossa concepção pedagógica de maneira adequada? 🤔

Imagem meramente ilustrativa gerada pela inteligência artificial MidJourney para o Fala, Prô!

O espaço é entendido sob uma perspectiva definida em diferentes dimensões: a física, a funcional, a temporal e a relacional, legitimando-se como um elemento curricular. A partir desse entendimento, o espaço nunca é neutro. Ele poderá ser estimulante ou limitador de aprendizagens, dependendo das estruturas espaciais dadas e das linguagens que estão sendo representadas. (Sabores, cores, sons, aromas: A organização dos espaços na Educação Infantil, p. 35)

Considerando que o espaço é um elemento fundamental para o desenvolvimento das crianças e que deve ser planejado e preparado de forma a ser estimulante, confortável e seguro, que potencialize aprendizagens e que valorize as diferentes produções das pequenas e pequenos, organizamos este post com algumas possibilidades para refletirmos e nos inspirarmos - e não para servir de modelo ou receita pronta, hein! Ao longo da publicação, compartilhamos também outras referências para nos aprofundarmos um pouquinho mais na temática. Confira!

24 outubro 2021

A responsabilidade da Educação Infantil no combate à violência sexual

✎ Por Fernanda Fusco

De acordo com a pesquisa do IBGE publicada no dia 10 de setembro de 2021, um(a) a cada sete estudantes de 13 a 17 anos já sofreu alguma forma de violência sexual. Mais de 70% desses casos acontecem dentro de casa e, com a pandemia e o isolamento social, crianças e adolescentes ficaram ainda mais vulneráveis a esse tipo de crime especialmente porque estavam afastados da escola e não conseguiam contar com a rede de apoio.

Vídeo publicado pela ONU Brasil no Dia do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Durante meus últimos anos na Educação Infantil, notei que algumas professoras e professores preferem se calar quando o assunto é educação sexual. Os motivos variam bastante: falta de conhecimento a respeito do tema, medo de as famílias reclamarem sobre a abordagem, não se sentirem tão à vontade justamente por considerarem um "tabu", preocupação com uma punição do (des)governo que deseja arrancar a proposta do currículo, pensar que crianças são puras e não têm sexualidade... Mas diante desses dados, das informações que temos e da nossa responsabilidade enquanto profissionais, nosso silenciamento é considerado negligência - afinal a escola também é ambiente de proteção!

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. (Estatuto da Criança e do Adolescente)

Pensando nisso, hoje vamos refletir a respeito da importância da educação sexual na Educação Infantil,  qual o nosso papel enquanto educadoras e educadores da primeira infância, como podemos identificar e denunciar situações de abuso e quais materiais podemos utilizar para aprofundar nossos estudos. Deixo aqui os meus agradecimentos à professora Dora Silveira, minha querida amiga que atua na rede pública municipal de São Paulo e que amanheceu um tanto preocupada assim que leu a notícia sobre os dados do IBGE, compartilhando comigo sua frustração; e à Márcia Trípodi, amiga e coordenadora pedagógica, que nos deixou algumas dicas de como a escola de educação infantil pode atuar frente a situações que ferem os direitos das crianças.

12 outubro 2021

Semana da Criança: A escola enquanto espaço de mudança

✎ Por Fernanda Fusco

Já experimentaram perguntar aos pequenos e pequenas qual o significado do Dia das Crianças? Há anos questiono as minhas turmas e, sem nem um pingo de surpresa, ouço da maioria que a data serve para receber presentes ou visitar lojas para escolher brinquedos. Mas o que, de fato, comemoramos? 🤔

Imagem meramente ilustrativa: dia de troca de brinquedos (2018). Arquivo pessoal.

No dia 12 de Outubro, além de ser considerado feriado nacional devido à celebração do Dia de Nossa Senhora Aparecida para os católicos, celebramos o Dia das Crianças: de acordo com uma matéria publicada no portal BBC News Brasil,

No dia 12 de outubro de 1923, o Rio de Janeiro, então capital federal, sediou um evento que reuniu estudiosos de infância e políticos de vários países. Era o Congresso Sul-Americano da Criança, cuja pauta discutia questões educacionais, alimentares e de desenvolvimento.

Graças a empresas como Estrela Johnson & Johnson (mais especificamente em 1955), a data foi apropriada pelo comércio que tem como objetivo, obviamente, vender mais nesta época do ano. Não é à toa que, assim que chega o mês de outubro, começamos a ser bombardeadas(os) por propagandas de brinquedos e outros produtos direcionados ao público infantil e, por consequência, nossas crianças também são atingidas.

Embora o currículo não deva ser pautado pelas datas comemorativas, a necessidade de não perpetuar a cultura do consumo desenfreado pode servir como disparador para um trabalho reflexivo em nossa unidade - mas que também pode (e deve!) ser estendido para outros meses. Considerando que a escola é espaço de mudança, o que nós, enquanto educadoras e educadores, podemos fazer para ressignificar essa data e não reproduzir o que já vem sendo feito na sociedade há anos a fio? A seguir, traremos algumas sugestões de práticas para realizar com os pequenos e pequenas ao longo (ou a partir) da Semana da Criança!

28 novembro 2020

Entrevista: Mayara Gonçalves

✎ Por Fernanda Fusco

Fala, professoras e professores! É com muita alegria que anunciamos a chegada da mais nova colaboradora de nosso projeto: a Mayara Gonçalves, que ampliará nossos olhares para a pessoa com deficiência em seus artigos mensais! Nesta entrevista, a especialista em marketing digital e fada-madrinha na Make a Wish Brasil contará pra gente um pouco de sua trajetória e formação, de seus maiores desafios e conquistas, e porque a inclusão é um tema de seu interesse. Vem com a gente!


"Pessoalmente gosto do que me tornei, pois tenho cada vez mais oportunidades de usar minhas habilidades e história de vida a favor, não só de mim, mas de quem precisa." (Mayara Gonçalves)

Seja muito bem-vinda ao Fala, Prô!, Ma! Sobre quais temas você pretende tratar em seus artigos mensais?

Agradeço o convite das queridas do Fala, Prô! É uma honra ter esse espaço e fazer parte da equipe. ❤️Em meus textos pretendo falar sobre questões pertencentes ao mundo das pessoas com deficiência e como elas interagem com tudo que as cerca. A partir daí, minha intenção é convidar as educadoras e educadores a refletirem sobre suas práticas escolares, dando ideias de como estruturá-las segundo as reais necessidades de pessoas que, como eu, convivem com uma deficiência.

Por que o mundo das pessoas com deficiência é um assunto de seu interesse?

O assunto da inclusão e acessibilidade dentro e fora do ambiente escolar faz parte da minha vida, já que nasci com paralisia cerebral e convivo com ela há 29 anos. Nessa trajetória, percebi que existe muita falta de informação, preconceito e um certo "medo" do desconhecido por parte da sociedade dita "normal". Isso acaba conferindo aos PCDs (pessoas com deficiência) lugares inferiorizados aos quais eles não pertencem e nem nunca pertenceram na realidade, mas que a sociedade os coloca por ser mais fácil rotular do que respeitar, acolher e valorizar as particularidades e necessidades de cada ser humano. Então, meu jeito de combater tudo isso é falar sobre minhas vivências e ajudar outras pessoas a construírem um olhar diferente sobre a pessoa com deficiência.


25 novembro 2020

Relato de prática: Brincadeiras com água na Educação Infantil

✎ Por Fernanda Fusco

Ao longo de 2019, uma das solicitações mais comuns das crianças da minha turma de Infantil I (4~5 anos) foi a compra de uma piscina para os momentos de brincadeiras. Me pediam quase que diariamente por uma festa onde poderiam vestir suas roupas de banho, se refrescar e se divertir com os amigos. Mas como organizaríamos tal momento, considerando que era uma demanda apenas da minha turma e não poderíamos contar com nenhum recurso (humano ou material) sem antes solicitar à gestão? Em uma perspectiva de autoria e protagonismo infantil, resolvi me reunir com os pequenos, levantar meus pontos de vista e problemas para que, juntos, buscássemos uma solução rápida e possível para colocarmos em prática.

Nos dias quentes, as brincadeiras com água sempre foram muito recorrentes mesmo quando eu não propunha ou disponibilizava materiais com esse objetivo: esse elemento complementava as brincadeiras de comidinha quando misturavam com terra e folhas; era foco de experiências que envolviam a exploração e observação do peso e volume, assim como momentos de relaxamento; era objeto de criação artística, quando utilizavam para desenhar formas no chão e paredes com as mãos; era "munição" para as guerrinhas de molhar quando eu "não estava olhando"... Eram vivências que sempre partiam das necessidades e iniciativas isoladas de algumas crianças e/ou pequenos grupos: o desafio agora era envolver toda a turma em um mesmo momento de jogo simbólico.

21 novembro 2020

A urgência de uma educação antirracista

✎ Por Fernanda Fusco
O comprometimento ético e político com a luta antirracista não deve se limitar apenas ao povo preto: enquanto pessoa cisgênero, heterossexual e branca, devo reconhecer os privilégios que me acompanham (e que contribuem para a exclusão de outros grupos) e juntar forças para combater essa violência que tem nome, o racismo. Ainda mais porque escolhi ser educadora, que defende uma educação emancipatória, libertadora e pautada na formação de cidadãos críticos e autônomos. Mas, antes de iniciar a reflexão, gostaria de deixar meus agradecimentos à minha amiga e mana de luta Verônica Aline Matos, que é advogada, mãe, feminista, militante do movimento negro e que me ensina diariamente, especialmente a não me calar diante das opressões; e às amigas, parceiras e mães Sarah Linhares e Thaiane Oliveira, que autorizaram o uso das imagens de seus pequenos para deixar esse post ainda mais lindo e rico em significados!

Imagem meramente ilustrativa: Enzo na Festa Africana. A utilização da foto foi autorizada pela mamãe Thaiane Oliveira. Uso exclusivo do Fala, Prô!: não copie ou distribua!

Trago a temática justamente um dia após ao Dia da Consciência Negra para refletirmos a respeito do assunto, mas destaco que o debate não deve se limitar apenas ao mês de Novembro: a educação antirracista e as questões étnico-raciais precisam permear o nosso planejamento anual, incluindo nossas ações cotidianas (o chamado currículo oculto). Existem leis que procuram garantir o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana (como as 10.639/200311.645/2008, que incluem também os povos indígenas) nos currículos educacionais, mas ainda há muito o que conquistar.

Cinquenta e quatro por cento (54%) da população brasileira se autodeclara negra: são a maioria, mas por que são poucos os que ocupam lugares de poder? Por que, ao longo dos anos escolares, as turmas vão "clareando" até chegar ao Ensino Médio (vejam dados sobre reprovação, que justificam também a evasão escolar) e até universidades? Por que naturalizamos a presença de pretas e pretos nos espaços de opressão (dois em cada três detentos no sistema carcerário são negros), assim como atos brutais de violência (taí o recente caso de João Alberto Silveira Freitas morto no Carrefour)? Por que ainda nos silenciamos diante de atos racistas até no ambiente escolar?

14 novembro 2020

Política na Escola: "Sou professora, mas não discuto política!"

✎ Por Fernanda Fusco

Ao longo de alguns anos, escolhi não me manifestar quando o assunto era política: considerava pouco acessível, não questionava e tinha medo de transparecer a minha ingenuidade e ignorância, deixando os debates para os supostos "eruditos" de plantão (ou papagaios de telejornal?). Mesmo após formações, leituras e pesquisas, acabava optando pelo silêncio, mas desta vez com medo de represálias por conta da minha visão de mundo. Quantas vezes não ouvimos que política não se discute, não é mesmo? Com o passar do tempo, descobri que tudo se discute: depende se você e seus interlocutores estão dispostos a ouvir e compreender! Percebi também o quanto é importante me posicionar politicamente, especialmente por ser educadora e compreender o meu papel na formação de cidadãos críticos, autônomos e emancipados. E, às vésperas das eleições municipais, decidi quebrar meu silêncio: vamos discutir política e pensar sobre o impacto de nossas escolhas? Agradeço inicialmente à professora Nelice Pompeu, que atua na rede pública municipal de São Paulo, está sempre engajada nas questões políticas e sociais e que me deu um empurrãozinho para que este post fosse possível!

Imagem meramente ilustrativa: eleição de representantes da minha turma para o Conselho Mirim (2019)

Veja, política vai muito além de decidir entre esquerda ou direita, consumir notícias da revista semanal, compartilhar memes criticando nosso despresidente ou ter um político de estimação: tudo o que nos rodeia é política! As nossas ações, as nossas escolhas, os nossos relacionamentos e até você, a partir do momento em que pisou nesta Terra (esférica!), é um ser político! Quando nos organizamos nas mais variadas instituições estamos fazendo política, pois pensamos e executamos ações que envolvem (ou deveriam envolver) um bem comum - a quadrinista Racka Abe ilustra alguns exemplos em seu Manual da Vida Adulta, no final deste post.

19 outubro 2020

Vivências com elementos da natureza na Educação Infantil

✎ Por Fernanda Fusco

Graças ao isolamento social, o contato direto com a natureza infelizmente não faz parte da realidade de muitos bebês e crianças, que estão restritos às suas moradias e cercados por paredes de concreto. Esse contato com o meio ambiente e os elementos naturais é essencial para o desenvolvimento dos pequenos e sua ausência, de acordo com pesquisadores, pode causar o déficit de natureza, responsável por problemas físicos e mentais como a obesidade, a depressão, a hiperatividade e o déficit de atenção.

Frutinhas encontradas no parque. Arquivo pessoal de Fernanda Fusco.

De acordo com as autoras Eulália Bassedas, Teresa Huguet e Isabel Solé:

As crianças dessa faixa etária constroem teorias bastante coerentes em si mesmas, porém pouco adaptadas à realidade. A interação e o conhecimento do ambiente permitem a elas irem construindo interpretações mais ajustadas e mais potentes para continuar aprendendo sobre o funcionamento do mundo que as envolve. (Aprender e ensinar na Educação Infantil, p. 72)

Dentre outros benefícios, estão a criatividade, a imaginação, a motivação, além da admiração e cuidados com o meio ambiente. A partir da exploração da natureza, os pequenos também estimulam a curiosidade, fazem novas descobertas e desenvolvem a inteligência naturalista.

15 outubro 2020

Dia dos professores e o início de um novo ciclo

Ilustração por Leo Shin
✎ Por Fernanda Fusco
Fala, professoras e professores! Há quanto tempo, não? É com muita alegria que, em nosso dia 15 de Outubro, anunciamos a volta do Fala, Prô! Neste novo ciclo, contamos com a parceria de uma amiga querida e educadora maravilhosa Ekatherina Ugnivenko, que é graduada em Letras (PUC-SP), Pedagogia e especialista em educação bilíngue. A Kathy, como também é carinhosamente chamada, atua como professora de inglês na rede particular de São Paulo e, ao longo de seus 12 anos de carreira, trabalhou com crianças e adolescentes da Educação Infantil ao Ensino Médio e até em instituto de línguas!

Ekatherina com seus alunos observando o bicho-pau

Pretendemos continuar trazendo por aqui nossos relatos de prática, descobertas, dicas e desabafos com o propósito de construir um ambiente de diálogo com outras educadoras e educadores, bem como demais interessados pela área da educação! Por isso o seu comentário aqui, em nosso Facebook ou Instagram, sempre será muito bem-vindo! 💕

15 abril 2018

Planejamento: É preciso ter para ser feliz?

✎ Por Fernanda Fusco
A partir do segundo semestre de 2017, percebi que alguns dos atuais produtores de conteúdo para YouTube tinham grande influência sobre as crianças da minha turma. Achei um tanto assustador, já que com apenas 5 anos suas brincadeiras e conversas refletiam falas, gestos e temas tratados nos vídeos destes "fenômenos da internet". A situação é preocupante porque, apesar de o conteúdo destes youtubers ser direcionado ao público infantil (com vídeo disponíveis até no YouTube Kids), estimulam comportamentos inadequados como o consumo desenfreado e a preferência por alimentos não-saudáveis.

Confecção coletiva de um mural com rostos felizes
Conversando com a minha parceira Daniela e considerando o tema de estudos de nosso grupo de formação de professores (cidadania), decidimos que o nosso primeiro bimestre de 2018 seria norteado por ações que visassem conscientizar as crianças a respeito do consumo consciente (um dos princípios da sustentabilidade), a alimentação saudável, valorizar comportamentos éticos e morais, assim como promover reflexões sobre o conceito de felicidade: será que é preciso ter para ser feliz?

17 janeiro 2018

Relato de prática: O Grito, de Edvard Munch

Obras expostas em nossa Mostra Cultural
✎ Por Fernanda Fusco
No ano passado, nosso grupo de professores decidiu que cada bimestre seria norteado por um tema gerador: um deles, o do terceiro bimestre, foi artes. Apesar de já trabalhar com a linguagem ao longo de todo o ano, resolvi focar com a minha turma no estudo de obras de alguns artistas renomados de acordo com nossas necessidades e os temas que fossem surgindo. Uma dessas necessidades foi trabalhar com a identificação e expressão de emoções, já que, além de expormos nossas produções realizadas ao longo do ano, também apresentaríamos uma peça de teatro em nossa Mostra Cultural.

Logo lembrei da série de pinturas expressionistas O Grito, do norueguês Edvard Munch, que traduz toda a sua angústia, desespero e frustração por conta de suas desilusões com a vida:

"Eu caminhava com dois amigos - o sol se pôs, o céu tornou-se vermelho-sangue - eu ressenti como que um sopro de melancolia. Parei, apoiei-me no muro, mortalmente fatigado; sobre a cidade e do fiorde, de um azul quase negro, planavam nuvens de sangue e línguas de fogo: meus amigos continuaram seu caminho - eu fiquei no lugar, tremendo de angústia. Parecia-me escutar o grito imenso, infinito, da natureza." (MUNCH apud NAZÁRIO, 1999, p. 151)

Separei a turma em grupos de quatro crianças e entreguei para cada um deles uma cópia impressa da obra. A proposta era que analisassem inicialmente, sem nenhuma intervenção minha, e depois expusessem suas impressões para os seus colegas. Estes momentos de inferências, na minha opinião, são os mais divertidos! Surpreendentemente as crianças se aproximam do significado da obra (embora ela carregue vários para aquele que observa, é claro), encontram detalhes que acabam passando batido para os adultos e muitas vezes desenvolvem histórias a partir do que observam!

11 janeiro 2018

Lapbook: Mais um recurso de ensino-aprendizagem

✎ Por Fernanda Fusco
Gosto muito de usar o Pinterest para procurar algumas inspirações de atividades ou projetos. Nessas minhas pesquisas descobri o Lapbook, um mini-livro que pode ser utilizado como recurso para o processo de ensino-aprendizagem de qualquer tema, para qualquer faixa etária, e pode ser produzido pelo professor, pela turma ou por cada aluno.

Lapbook das Plantas, confeccionado em 2017 pela turma do Infantil I
O lapbook tem como objetivo reunir informações sobre determinado assunto em uma espécie de pasta confeccionada com papel e assim facilitar o estudo e revisar determinados tópicos. Esses tópicos, diferente de um livro ou caderno convencional, são organizados por abas ou envelopes, facilitando a busca por um assunto específico e possibilitando uma maior interação com o material.

01 novembro 2017

A casinha: Uma construção a partir das sugestões da turma

✎ Por Fernanda Fusco
A sala multiuso (laboratório de informática + brinquedoteca + sala de leitura) da nossa escola recebeu neste semestre um ar condicionado. Ele veio em uma caixona de papelão que professora Daniela, minha companheira, disponibilizou para as crianças brincarem. Observando uma delas entrando e explorando como se fosse um "forte", sugeri:

Nossa casinha prontinha e as crianças explorando

"Que tal se a gente cortar uma porta e uma janela para virar uma casinha?"

Enquanto alguns observavam com curiosidade, cortei um quadrado e um retângulo com estilete que, respectivamente, viraram a janela e a porta. Não satisfeito ainda com o resultado, o mesmo aluno que explorava a caixa teve a ideia de pintarmos para que a nossa improvisação ficasse mais apresentável: e lá fomos nós buscar tinta acrílica para colorir as "paredes".

20 agosto 2017

Relato de prática: Desenho mágico

✎ Por Fernanda Fusco
Uma das propostas da Educação Infantil é a de ampliar o repertório das crianças em relação aos
suportes e instrumentos utilizados nas Artes Plásticas. O importante do fazer artístico, como sabemos, é todo o processo: o produto final é apenas consequência!

Os desenhos mágicos: canson, giz-de-cera, nanquim preto, pincel e palito de churrasco

Aproveitando todo o encantamento das crianças nas últimas semanas por personagens como bruxas e fadas, trouxe na semana passada para o nosso ateliê uma proposta muito divertida de atividade: o desenho mágico, que também ilustrou um cartão - que cada criança entregou para a sua pessoa amada.

02 agosto 2017

Relato de prática: Xilogravuras e Cordel

✎ Por Fernanda Fusco
Outra atividade de artes que fiz com a turminha de Infantil I (4~5 anos) relacionada ao Nordeste
(do tema gerador Viajando pelo Brasil) foi a produção de xilogravuras.
Algumas das nossas xilogravuras já prontas!
Como a sequência envolvia as diferentes linguagens e o foco de nossos estudos deste ano no grupo de professores é Literatura Infantil, comecei conversando com eles sobre literatura de cordel e apresentando alguns vídeos do canal Cordel Animado (#fikadika). Também li o cordel O Barato da Barata, do livro Cordelinho (Chico Salles), e mostrei para eles alguns que vieram do nordeste a fim de apreciarem suas capas e entenderem o que são xilogravuras.

31 julho 2017

Entrevista: Carlos Lima e Educomunicação

✎ Por Fernanda Fusco
O Fala, Prô! também é espaço para entrevistas com profissionais da nossa área! E para começar 
bem, a nossa primeira é com Carlos Lima, coordenador do Núcleo de Educomunicação da SME-SP e criador do Imprensa Jovem, projeto educomunicativo que envolve o protagonismo de alunos e professores da rede. Carlos também é professor de Língua Inglesa, radialista e especialista em Educomunicação, além de ter atuado como Conselheiro Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação da  Cidade de São Paulo.

Carlos Lima em videoconferência. Arquivo pessoal do educomunicador.
Nesta entrevista, o professor explica o que é educomunicação, quais os projetos que envolvem esse conceito na SME-SP e qual a sua importância para as nossas escolas. Com a palavra, Carlos Lima: Fala, Prô!

O que significa "educomunicação"?

Educação com a comunicação ou comunicação para educação, Paulo Freire já dizia Educação é Comunicação, neste sentido o professor é um educomunicador nato.  A Educomunicação é novo campo de conhecimento. Trata-se de um conceito que relaciona dois importantes campos e que promove o exercício do diálogo na prática educativa. Na escola a Educomunicação promove a expressão comunicativa e criativa dos estudantes, a leitura crítica da mídia, a expressão responsável do direito a comunicação, o protoganismo com participação e a mediação tecnológica.

Quando e como começou o projeto Nas Ondas do Rádio?

O Nas Ondas do Rádio é parte de um processo histórico de implementação  da Educomunicação na Rede. Este tem início em 2001 com o projeto Educom.Rádio que a transforma em lei, Programa Educom lei 13.941/2004. Com a lei, a Educomunicação passa a ser uma politica pública na cidade de São Paulo. O Nas Ondas do Rádio surge como projeto na Rede para implementar esta política pública. Transforma-se em Programa Nas Ondas do Rádio com a portaria 5791/2009 e transforma-se no setor Núcleo de  Educomunicação,  articulado ao Currículo em 2006 a partir da Reorganização Administrativa de SME.  Apesar das transformações ao longo dos anos, atravessando gestões a proposta se mantém fiel aos preceitos da Educomunicação.


Conheça mais: Projeto História Oral com o professor Carlos Lima

Quais foram os outros projetos que nasceram a partir dele?

O Imprensa Jovem foi sem dúvida o projeto mais importante da transformação da Educomunicação na Rede. Trouxe a perspetiva aos projetos de diversificar ou mesmo integrar mídias diversas e Cultura Digital aos projetos de Educomunicação. Até 2005 o Rádio Escolar representada pelo projeto Educom.Rádio, era a única linguagem desenvolvida como proposta de Educomunicação. Com a chegada na Rede do Imprensa Jovem, o Rádio Escolar se ampliou suas atividades pedagógicas nos intervalos escolares para se transformar em agências de notícias. Então outros projetos como Jornal e Blog, também passaram a se associar ao Imprensa Jovem ajudando a expandir a proposta de Educomunicação na Rede. 

Hoje a Secretaria Municipal de Educação de SP conta com um núcleo de Educomunicação. Quais mudanças que a criação desse núcleo trouxe?

De fato a importância do Núcleo de Educomunicação, único no país em uma Secretaria Municipal de Educação é a consolidação de uma política pública de Educação. A Comunicação tão importante para o desenvolvimento da vida e portanto um direito humano, pode através da Educomunicação ter espaço no Curriculo com as linguagens de comunicação. Apesar da confusão que ainda existe sobre Educomunicação com a proposta de Tecnologias as ações buscam melhorar o ecossistema comunicativo nas relações humanas e na transversalidade dos diversos conhecimentos curriculares. Ganha a Rede com um setor independente que atende da Educação Infantil ao Ensino Médio e todas as outras frentes educativas da Rede. 

Qual a importância da educomunicação nas e para as escolas da Rede?

A escola tem dificuldade de se comunicar com ela própria, com a sua comunidade. A Educomunicação entre as suas diversas possibilidades pedagógicas taí para dar uma força para melhorar esta realidade.

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