✎ Por Fernanda Fusco
O comprometimento ético e político com a luta antirracista não deve se limitar apenas ao povo preto: enquanto pessoa cisgênero, heterossexual e branca, devo reconhecer os privilégios que me acompanham (e que contribuem para a exclusão de outros grupos) e juntar forças para combater essa violência que tem nome, o racismo. Ainda mais porque escolhi ser educadora, que defende uma educação emancipatória, libertadora e pautada na formação de cidadãos críticos e autônomos. Mas, antes de iniciar a reflexão, gostaria de deixar meus agradecimentos à minha amiga e mana de luta Verônica Aline Matos, que é advogada, mãe, feminista, militante do movimento negro e que me ensina diariamente, especialmente a não me calar diante das opressões; e às amigas, parceiras e mães Sarah Linhares e Thaiane Oliveira, que autorizaram o uso das imagens de seus pequenos para deixar esse post ainda mais lindo e rico em significados!
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| Imagem meramente ilustrativa: Enzo na Festa Africana. A utilização da foto foi autorizada pela mamãe Thaiane Oliveira. Uso exclusivo do Fala, Prô!: não copie ou distribua! |
Trago a temática justamente um dia após ao Dia da Consciência Negra para refletirmos a respeito do assunto, mas destaco que o debate não deve se limitar apenas ao mês de Novembro: a educação antirracista e as questões étnico-raciais precisam permear o nosso planejamento anual, incluindo nossas ações cotidianas (o chamado currículo oculto). Existem leis que procuram garantir o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana (como as 10.639/2003 e 11.645/2008, que incluem também os povos indígenas) nos currículos educacionais, mas ainda há muito o que conquistar.
Cinquenta e quatro por cento (54%) da população brasileira se autodeclara negra: são a maioria, mas por que são poucos os que ocupam lugares de poder? Por que, ao longo dos anos escolares, as turmas vão "clareando" até chegar ao Ensino Médio (vejam dados sobre reprovação, que justificam também a evasão escolar) e até universidades? Por que naturalizamos a presença de pretas e pretos nos espaços de opressão (dois em cada três detentos no sistema carcerário são negros), assim como atos brutais de violência (taí o recente caso de João Alberto Silveira Freitas morto no Carrefour)? Por que ainda nos silenciamos diante de atos racistas até no ambiente escolar?


