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06 fevereiro 2023

Como construir um espaço acolhedor e esteticamente agradável para as crianças da Educação Infantil

✎ Por Fernanda Fusco
O ano letivo já começou e uma das nossas preocupações enquanto educadoras/es da infância é a de como preparar um espaço acolhedor para receber a garotada. No entanto, ainda é constante cairmos na armadilha de reproduzir estéticas muito presentes no senso comum sobre o que é uma escola da/para infância e com o que as crianças se identificam: tons coloridos e vibrantes, murais decorados em eva, personagens de desenhos infantis, tatames espalhados para evitar o contato com o chão, brinquedos e mais brinquedos feitos de plástico, salas entupidas com mesas e cadeiras... Mas será que essa estética, comumente confundida com um falso conceito de ludicidade, atende às nossas intencionalidades e revela a nossa concepção pedagógica de maneira adequada? 🤔

Imagem meramente ilustrativa gerada pela inteligência artificial MidJourney para o Fala, Prô!

O espaço é entendido sob uma perspectiva definida em diferentes dimensões: a física, a funcional, a temporal e a relacional, legitimando-se como um elemento curricular. A partir desse entendimento, o espaço nunca é neutro. Ele poderá ser estimulante ou limitador de aprendizagens, dependendo das estruturas espaciais dadas e das linguagens que estão sendo representadas. (Sabores, cores, sons, aromas: A organização dos espaços na Educação Infantil, p. 35)

Considerando que o espaço é um elemento fundamental para o desenvolvimento das crianças e que deve ser planejado e preparado de forma a ser estimulante, confortável e seguro, que potencialize aprendizagens e que valorize as diferentes produções das pequenas e pequenos, organizamos este post com algumas possibilidades para refletirmos e nos inspirarmos - e não para servir de modelo ou receita pronta, hein! Ao longo da publicação, compartilhamos também outras referências para nos aprofundarmos um pouquinho mais na temática. Confira!

03 setembro 2022

Escola e competências individuais: por que este (não) tem sido o melhor espaço para desenvolvê-las?

✎ Por Mayara Gonçalves

Quantas vezes você já duvidou de si mesma/o? Assim começa o texto que marca o meu retorno ao Fala, Prô! depois de um hiato que teve: pandemia, retomada da vida e uma fugidinha "pras Europas" após de 4 anos sem férias. E por que eu estou contando tudo isso a partir de uma pergunta reflexiva dessas? Porque foi viajando que eu pude pensar sobre essa pergunta.

Toda plena na Rue de la Huchette, em Paris (07/2022). Clique aqui para ver mais!
Desde os tempos da faculdade de design gráfico (na qual me formei em 2014), eu fico me perguntando o quão boa sou no que faço. Apesar de hoje não atuar mais como designer (minha saúde mental agradece!), acredito que tal questionamento seja um resquício das inseguranças que adquiri lá. A viagem foi ainda mais propícia para essa reflexão, pois os lugares que pude visitar foram os mais comentados durante as aulas que eu gostava (história da arte e sociologia salvaram aquela faculdade cheia de egos artísticos prontos para disputar atenção!).

Passei 4 anos da minha vida me perguntando o que eu tinha ido buscar naquele curso, uma vez que a habilidade com o desenho e o atingimento da perfeição digna de grandes obras nunca foram mais do que um sonho de criança (que queria trabalhar na Abril e ser o Maurício de Souza nas horas vagas) totalmente frustrado. Como uma visão de mundo tão diversa poderia caber nisso tudo? Se o tempo todo ouvia de dentro pra fora e de fora pra dentro:

"No meio dessas pessoas você sofre menos se jogar com as artes que já domina: capacidade analítica e escrita. Porque você não é boa nas outras coisas."

Tentando jogar em um campo que me era desconhecido na prática (lápis, aquarela, papel, uma pitada de melancolia e a paciência que até hoje eu não entendo como todo artista tem) aprendi que, diferente do que me disseram, aquele não era lugar de experimentar e ser livre para criar. Aquele era um lugar para aprender a reproduzir padrões.

12 outubro 2021

Semana da Criança: A escola enquanto espaço de mudança

✎ Por Fernanda Fusco

Já experimentaram perguntar aos pequenos e pequenas qual o significado do Dia das Crianças? Há anos questiono as minhas turmas e, sem nem um pingo de surpresa, ouço da maioria que a data serve para receber presentes ou visitar lojas para escolher brinquedos. Mas o que, de fato, comemoramos? 🤔

Imagem meramente ilustrativa: dia de troca de brinquedos (2018). Arquivo pessoal.

No dia 12 de Outubro, além de ser considerado feriado nacional devido à celebração do Dia de Nossa Senhora Aparecida para os católicos, celebramos o Dia das Crianças: de acordo com uma matéria publicada no portal BBC News Brasil,

No dia 12 de outubro de 1923, o Rio de Janeiro, então capital federal, sediou um evento que reuniu estudiosos de infância e políticos de vários países. Era o Congresso Sul-Americano da Criança, cuja pauta discutia questões educacionais, alimentares e de desenvolvimento.

Graças a empresas como Estrela Johnson & Johnson (mais especificamente em 1955), a data foi apropriada pelo comércio que tem como objetivo, obviamente, vender mais nesta época do ano. Não é à toa que, assim que chega o mês de outubro, começamos a ser bombardeadas(os) por propagandas de brinquedos e outros produtos direcionados ao público infantil e, por consequência, nossas crianças também são atingidas.

Embora o currículo não deva ser pautado pelas datas comemorativas, a necessidade de não perpetuar a cultura do consumo desenfreado pode servir como disparador para um trabalho reflexivo em nossa unidade - mas que também pode (e deve!) ser estendido para outros meses. Considerando que a escola é espaço de mudança, o que nós, enquanto educadoras e educadores, podemos fazer para ressignificar essa data e não reproduzir o que já vem sendo feito na sociedade há anos a fio? A seguir, traremos algumas sugestões de práticas para realizar com os pequenos e pequenas ao longo (ou a partir) da Semana da Criança!

25 novembro 2020

Relato de prática: Brincadeiras com água na Educação Infantil

✎ Por Fernanda Fusco

Ao longo de 2019, uma das solicitações mais comuns das crianças da minha turma de Infantil I (4~5 anos) foi a compra de uma piscina para os momentos de brincadeiras. Me pediam quase que diariamente por uma festa onde poderiam vestir suas roupas de banho, se refrescar e se divertir com os amigos. Mas como organizaríamos tal momento, considerando que era uma demanda apenas da minha turma e não poderíamos contar com nenhum recurso (humano ou material) sem antes solicitar à gestão? Em uma perspectiva de autoria e protagonismo infantil, resolvi me reunir com os pequenos, levantar meus pontos de vista e problemas para que, juntos, buscássemos uma solução rápida e possível para colocarmos em prática.

Nos dias quentes, as brincadeiras com água sempre foram muito recorrentes mesmo quando eu não propunha ou disponibilizava materiais com esse objetivo: esse elemento complementava as brincadeiras de comidinha quando misturavam com terra e folhas; era foco de experiências que envolviam a exploração e observação do peso e volume, assim como momentos de relaxamento; era objeto de criação artística, quando utilizavam para desenhar formas no chão e paredes com as mãos; era "munição" para as guerrinhas de molhar quando eu "não estava olhando"... Eram vivências que sempre partiam das necessidades e iniciativas isoladas de algumas crianças e/ou pequenos grupos: o desafio agora era envolver toda a turma em um mesmo momento de jogo simbólico.

01 novembro 2017

A casinha: Uma construção a partir das sugestões da turma

✎ Por Fernanda Fusco
A sala multiuso (laboratório de informática + brinquedoteca + sala de leitura) da nossa escola recebeu neste semestre um ar condicionado. Ele veio em uma caixona de papelão que professora Daniela, minha companheira, disponibilizou para as crianças brincarem. Observando uma delas entrando e explorando como se fosse um "forte", sugeri:

Nossa casinha prontinha e as crianças explorando

"Que tal se a gente cortar uma porta e uma janela para virar uma casinha?"

Enquanto alguns observavam com curiosidade, cortei um quadrado e um retângulo com estilete que, respectivamente, viraram a janela e a porta. Não satisfeito ainda com o resultado, o mesmo aluno que explorava a caixa teve a ideia de pintarmos para que a nossa improvisação ficasse mais apresentável: e lá fomos nós buscar tinta acrílica para colorir as "paredes".

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