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29 outubro 2022

Eleições 2022: Uma aventura da consciência

✎ Por Mayara Gonçalves

Se tem uma coisa que alguém que vive no Brasil sabe é que este país não é para amadores. Desde 2018 (ou 2016, com o golpe?), as terras Tupiniquins têm experimentado o gosto amargo do fascismo no poder e, com a perspectiva de uma mudança advinda das eleições de 2022, muitas e muitos de nós deixaram a ansiedade negativa de lado para dar lugar à esperança de um país que sai mais uma vez no mapa da fome e volta a abrigar um lugar de destaque por suas políticas educacionais.

Foto por Fernanda Fusco, 2019. Imagem meramente ilustrativa.

Não sei quantas/os de vocês, educadoras e educadores, ficaram surpresas/os com o resultado do primeiro turno das eleições (escrevo esse texto para o Fala, Prô! há um dia do segundo turno), mas quando digo que esse país não é para amadores é porque ele é o único que tem terraplanistas elegendo um astronauta vendedor de travesseiro.

Além disso, tem a candidata a vice-presidente, mulher com deficiência, que não se posiciona quando questionada se deve escolher entre uma pessoa que defendeu todas as políticas de inclusão/humanização de quem é como nós e um genocida que nos apagou do mapa. Até observei como a outra candidata de sua chapa nunca a deixou abrir a boca durante suas campanhas, nem sequer no Dia da Pessoa com Deficiência. Mas depois desse posicionamento dela eu "passei um pano", como dizem os jovens. "Passando pano pra latifundiária agro é pop - nova revelação do centrão brasileiro, Mayara?" Pois é. A que ponto chegamos! 

Eu chamo esses pequenos recortes de representação do Brasil atual que, por vezes, não faz sentido algum. E se eu fosse política, que discurso faria na minha posse? Talvez aquele que salva o coração de muitas e muitos em tempos tão retrógrados como esses. Precisamos de centenas de Éricas, Mônicas, Sônias, Guilhermes e outrEs, gente como a gente, ocupando espaços! Precisamos do povo, desde pequeno, construindo o saber dentro de uma escola centrada nas potencialidades - ao invés de precisar passar seu tempo suplicando aos quatro ventos para que ela continue existindo.

25 fevereiro 2021

Estatuto da pessoa com deficiência na escola: reflexões sobre inclusão escolar

✎ Por Mayara Gonçalves

Criado em 6 de julho de 2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência vigora desde 2 de janeiro de 2016 e existe para assegurar os direitos do PCD e orientar as demais esferas sociais no desafio de promover a inclusão.

Imagem meramente ilustrativa. Fonte: MedLine Plus.

Quando paramos para pensar nessa questão, a discussão naturalmente se torna mais complexa, especialmente quando olhamos para o contexto escolar. Sobre esse tópico, o Estatuto da Pessoa com Deficiência diz:

A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem. Parágrafo único: É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação

Entretanto, apesar de ser repleto de palavras bonitas, o documento (que é espantosamente recente!) não é respeitado. E a raiz disso está na cultura do capacitismo, tão intrínseca ao nosso dia a dia. Afinal, como promover a inclusão em uma sociedade que insiste em “separar” a pessoa com deficiência das demais, por conta de suas características físicas e de uma série de suposições equivocadas e preconceituosas? Como lutar por uma escola inclusiva, quando ainda estamos combatendo retrocessos como o decreto recente da Política Nacional de Educação Especial, que foi revogado pelo STF em dezembro de 2020 e promoveu a segregação da pessoa com deficiência em “salas especiais” dentro do ambiente escolar?

14 novembro 2020

Política na Escola: "Sou professora, mas não discuto política!"

✎ Por Fernanda Fusco

Ao longo de alguns anos, escolhi não me manifestar quando o assunto era política: considerava pouco acessível, não questionava e tinha medo de transparecer a minha ingenuidade e ignorância, deixando os debates para os supostos "eruditos" de plantão (ou papagaios de telejornal?). Mesmo após formações, leituras e pesquisas, acabava optando pelo silêncio, mas desta vez com medo de represálias por conta da minha visão de mundo. Quantas vezes não ouvimos que política não se discute, não é mesmo? Com o passar do tempo, descobri que tudo se discute: depende se você e seus interlocutores estão dispostos a ouvir e compreender! Percebi também o quanto é importante me posicionar politicamente, especialmente por ser educadora e compreender o meu papel na formação de cidadãos críticos, autônomos e emancipados. E, às vésperas das eleições municipais, decidi quebrar meu silêncio: vamos discutir política e pensar sobre o impacto de nossas escolhas? Agradeço inicialmente à professora Nelice Pompeu, que atua na rede pública municipal de São Paulo, está sempre engajada nas questões políticas e sociais e que me deu um empurrãozinho para que este post fosse possível!

Imagem meramente ilustrativa: eleição de representantes da minha turma para o Conselho Mirim (2019)

Veja, política vai muito além de decidir entre esquerda ou direita, consumir notícias da revista semanal, compartilhar memes criticando nosso despresidente ou ter um político de estimação: tudo o que nos rodeia é política! As nossas ações, as nossas escolhas, os nossos relacionamentos e até você, a partir do momento em que pisou nesta Terra (esférica!), é um ser político! Quando nos organizamos nas mais variadas instituições estamos fazendo política, pois pensamos e executamos ações que envolvem (ou deveriam envolver) um bem comum - a quadrinista Racka Abe ilustra alguns exemplos em seu Manual da Vida Adulta, no final deste post.

15 abril 2018

Planejamento: É preciso ter para ser feliz?

✎ Por Fernanda Fusco
A partir do segundo semestre de 2017, percebi que alguns dos atuais produtores de conteúdo para YouTube tinham grande influência sobre as crianças da minha turma. Achei um tanto assustador, já que com apenas 5 anos suas brincadeiras e conversas refletiam falas, gestos e temas tratados nos vídeos destes "fenômenos da internet". A situação é preocupante porque, apesar de o conteúdo destes youtubers ser direcionado ao público infantil (com vídeo disponíveis até no YouTube Kids), estimulam comportamentos inadequados como o consumo desenfreado e a preferência por alimentos não-saudáveis.

Confecção coletiva de um mural com rostos felizes
Conversando com a minha parceira Daniela e considerando o tema de estudos de nosso grupo de formação de professores (cidadania), decidimos que o nosso primeiro bimestre de 2018 seria norteado por ações que visassem conscientizar as crianças a respeito do consumo consciente (um dos princípios da sustentabilidade), a alimentação saudável, valorizar comportamentos éticos e morais, assim como promover reflexões sobre o conceito de felicidade: será que é preciso ter para ser feliz?

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