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24 outubro 2021

A responsabilidade da Educação Infantil no combate à violência sexual

✎ Por Fernanda Fusco

De acordo com a pesquisa do IBGE publicada no dia 10 de setembro de 2021, um(a) a cada sete estudantes de 13 a 17 anos já sofreu alguma forma de violência sexual. Mais de 70% desses casos acontecem dentro de casa e, com a pandemia e o isolamento social, crianças e adolescentes ficaram ainda mais vulneráveis a esse tipo de crime especialmente porque estavam afastados da escola e não conseguiam contar com a rede de apoio.

Vídeo publicado pela ONU Brasil no Dia do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Durante meus últimos anos na Educação Infantil, notei que algumas professoras e professores preferem se calar quando o assunto é educação sexual. Os motivos variam bastante: falta de conhecimento a respeito do tema, medo de as famílias reclamarem sobre a abordagem, não se sentirem tão à vontade justamente por considerarem um "tabu", preocupação com uma punição do (des)governo que deseja arrancar a proposta do currículo, pensar que crianças são puras e não têm sexualidade... Mas diante desses dados, das informações que temos e da nossa responsabilidade enquanto profissionais, nosso silenciamento é considerado negligência - afinal a escola também é ambiente de proteção!

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. (Estatuto da Criança e do Adolescente)

Pensando nisso, hoje vamos refletir a respeito da importância da educação sexual na Educação Infantil,  qual o nosso papel enquanto educadoras e educadores da primeira infância, como podemos identificar e denunciar situações de abuso e quais materiais podemos utilizar para aprofundar nossos estudos. Deixo aqui os meus agradecimentos à professora Dora Silveira, minha querida amiga que atua na rede pública municipal de São Paulo e que amanheceu um tanto preocupada assim que leu a notícia sobre os dados do IBGE, compartilhando comigo sua frustração; e à Márcia Trípodi, amiga e coordenadora pedagógica, que nos deixou algumas dicas de como a escola de educação infantil pode atuar frente a situações que ferem os direitos das crianças.

17 outubro 2021

Reflexões sobre a sexualidade da pessoa com deficiência

✎ Por Mayara Gonçalves

Para além do ato sexual, falar sobre sexualidade é também falar sobre autoconfiança, diálogo, afeto, respeito e liberdade de ser e sentir. E, assim como isso se aplicaria ao contexto de uma pessoa sem deficiência, se aplica ao contexto PCD.

Imagem meramente ilustrativa. Fonte: Anna Shvets em Pexels.

Exatamente! Abordar o tema da sexualidade relacionado à pessoa com deficiência vai além da curiosidade (muito comum, mas bizarra e capacitista) sobre "como será que aquela pessoa transa?" (ora! como todo mundo!). Assim, entendendo que há várias camadas envolvidas, é preciso dizer que socialmente a relação entre a sexualidade e a pessoa com deficiência foi anulada por muito tempo.  

Trailer de Margarita com canudinho: embora entre na categoria cripface, o filme apresenta a história da indiana Laila, que tem paralisia cerebral, é bissexual e vive uma jornada de autoconhecimento e aceitação

Advindo da infantilização dos corpos, do afeto e do intelecto PCD, este comportamento faz com que nós, que de fato vivemos como alguém com deficiência, passemos por dificuldades na hora de viver a sexualidade. Não dificuldades físicas em si, mas em expressar e classificar a qualidade dos afetos e relações nas quais nos envolvemos. Se eu for falar sobre a quantidade de vezes em que eu me privei de chegar em alguém que eu estava interessada com medo do que a pessoa diria ou de como me trataria exclusivamente por ter um padrão corporal diferente, nós íamos ficar nesse texto até amanhã ou depois de amanhã, minha gente! E sobre aquelas vezes em que ficava alguma coisa no ar, mas não ia para frente por falta de clareza e atitude de ambas as partes… um bom tempo também! E, por fim, se eu for falar em quantas enrascadas abusivas eu me meti e a qualidade das relações que aceitei em minha vida, simplesmente movida pela vontade de "viver alguma coisa diferente de estar sozinha", sem saber classificar a qualidade do afeto e do sexo vivenciado, vixe… até 2050! 

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