15 abril 2018

Planejamento: É preciso ter para ser feliz?

A partir do segundo semestre de 2017, percebi que alguns dos atuais produtores de conteúdo para YouTube tinham grande influência sobre as crianças da minha turma. Achei um tanto assustador, já que com apenas 5 anos suas brincadeiras e conversas refletiam falas, gestos e temas tratados nos vídeos destes "fenômenos da internet". A situação é preocupante porque, apesar de o conteúdo destes youtubers ser direcionado ao público infantil (com vídeo disponíveis até no YouTube Kids), estimulam comportamentos inadequados como o consumo desenfreado e a preferência por alimentos não-saudáveis.

Confecção coletiva de um mural com rostos felizes
Conversando com a minha parceira Daniela e considerando o tema de estudos de nosso grupo de formação de professores (cidadania), decidimos que o nosso primeiro bimestre de 2018 seria norteado por ações que visassem conscientizar as crianças a respeito do consumo consciente (um dos princípios da sustentabilidade), a alimentação saudável, valorizar comportamentos éticos e morais, assim como promover reflexões sobre o conceito de felicidade: será que é preciso ter para ser feliz?

Além dos objetivos listados em nosso plano de ensino atual (e divididos pelos campos de experiência de acordo com a BNCC), pensamos em outros objetivos específicos e relacionados aos temas geradores de nossa proposta para o primeiro bimestre. Pretendemos, portanto, fazer com que as crianças:

• Identifiquem, valorizem e dialoguem sobre comportamentos éticos e morais, como a gratidão, a gentileza, o companheirismo, entre outros;

• Reflitam acerca do conceito de felicidade, compartilhem suas opiniões sobre este sentimento e compreendam que não é preciso possuir algo materialmente para ser feliz;

• Conheçam a realidade de crianças que fazem parte de outros grupos sociais, comparem com suas próprias vivências e infiram sobre o que as faz felizes; 

• Valorizem atitudes que envolvam o consumo consciente, como a troca de brinquedos e a produção de objetos com materiais reaproveitados;

• Conheçam alguns dos direitos básicos do consumidor, despertando a atenção para instruções de brinquedos, a segurança de produtos, o direito de escolher e propiciar o debate sobre publicidade infantil;

• Conheçam e experimentem os diferentes tipos de alimentos, suas origens e contribuições para a nutrição humana, além de identificar aqueles considerados não-saudáveis;

• Identifiquem comportamentos inadequados nos vídeos de produtores de conteúdo para a internet, como o consumo desenfreado, a preferência por alimentos não-saudáveis e o desperdício;

• Conheçam produtores de conteúdo para a internet que respeitam a infância e que não apelem para o marketing de produtos infantis.

Identificação da palavra felicidade na letra da música de Seu Jorge
Algumas sugestões de conteúdos e procedimentos que levantamos a princípio são: identificação do que é felicidade e comparação com outros sentimentos, leituras e músicas que remetem ao tema (análise e ilustração), escrita coletiva de listas (ex: o que me deixa feliz?), gravação de vídeo (entrevista e pesquisa com membros da comunidade escolar), a realidade de outras crianças, relacionar sensações com sentimentos ou emoções a partir de leituras, músicas e outras vivências (ex: o que você sente quando...?), mercado de pulgas (troca de brinquedos e livros), produção de brinquedos e/ou arte-objetos com materiais reaproveitados, conscientizações a respeito da preservação do meio ambiente, alimentos, recursos naturais e identificação de situações onde haja desperdício, o processo de criação e produção de objetos (livros, brinquedos, alimentos, roupas, etc., identificação de comportamentos inadequados em vídeos de produtores de conteúdo para YouTube, o objetivo por trás da produção desses vídeos, apresentação de youtubers que respeitam a infância, escrita coletiva de comentários ou e-mails, conversas sobre o direito de escolher, a segurança e instruções dos produtos, resolução de situações-problema e análise de vídeos publicitários destinados ao público infantil.

Conversaremos também com os responsáveis pelas crianças com o propósito de conscientizá-los: embora saibamos que a proibição do acesso a determinados conteúdos depende das regras de cada família, é importante que estejam cientes sobre os comportamentos inadequados que são incentivados e que precisamos construir um ambiente de diálogo junto aos pequenos para que reflitam, analisem e considerem os objetivos por trás da produção destes vídeos (que vai muito além do mero entretenimento).

Ao longo deste mês, pretendo trazer aqui no blog publicações com esta temática, como relatos de prática, dicas de leituras, entre outros. Qualquer sugestão é muito bem-vinda: deixe aqui o seu comentário e vamos trocar figurinhas!
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