17 janeiro 2018

Relato de prática: O Grito, de Edvard Munch

No ano passado, nosso grupo de professores decidiu que cada bimestre seria norteado por um tema gerador: um deles, o do terceiro bimestre, foi artes.

Obras expostas em nossa Mostra Cultural
Apesar de já trabalhar com a linguagem ao longo de todo o ano, resolvi focar com a minha turma no estudo de obras de alguns artistas renomados de acordo com nossas necessidades e os temas que fossem surgindo. Uma dessas necessidades foi trabalhar com a identificação e expressão de emoções, já que, além de expormos nossas produções realizadas ao longo do ano, também apresentaríamos uma peça de teatro em nossa Mostra Cultural.

Logo lembrei da série de pinturas expressionistas O Grito, do norueguês Edvard Munch, que traduz toda a sua angústia, desespero e frustração por conta de suas desilusões com a vida:
Eu caminhava com dois amigos - o sol se pôs, o céu tornou-se vermelho-sangue - eu ressenti como que um sopro de melancolia. Parei, apoiei-me no muro, mortalmente fatigado; sobre a cidade e do fiorde, de um azul quase negro, planavam nuvens de sangue e línguas de fogo: meus amigos continuaram seu caminho - eu fiquei no lugar, tremendo de angústia. Parecia-me escutar o grito imenso, infinito, da natureza. (MUNCH apud NAZÁRIO, 1999, p. 151)
Separei a turma em grupos de quatro crianças e entreguei para cada um deles uma cópia impressa da obra. A proposta era que analisassem inicialmente, sem nenhuma intervenção minha, e depois expusessem suas impressões para os seus colegas. Estes momentos de inferências, na minha opinião, são os mais divertidos! Surpreendentemente as crianças se aproximam do significado da obra (embora ela carregue vários para aquele que observa, é claro), encontram detalhes que acabam passando batido para os adultos e muitas vezes desenvolvem histórias a partir do que observam!

Momento de apreciação e compartilhamento das impressões com os colegas
Algumas perguntas que nortearam a nossa apreciação foram: O que vocês estão vendo nesta obra? Quem é esse aqui no meio? O que vocês acham que ele está sentindo e por quê? Como é o cenário? O que vocês sentem ao observar esta obra?

Eu acho que isso aqui é por onde passa o trem...

Prô, esse aqui é o fantasma!

Aí o céu ficou assim porque a bruxa passou e deixou tudo pegando fogo!

É porque o Sol está indo embora!

Acho que ele está com medo!

É muito assustador!

"Eduardo Mancha"! É igual o nome do meu tio: Eduardo!
Identificação das cores e reprodução da técnica de misturas para colorir o céu
Utilizando aquarela para pintar o lago
Após contar um pouquinho a respeito da biografia do artista e suas motivações para compor O Grito, distribui para cada criança metade de uma folha de sulfite contendo os traços do cenário. O objetivo nesta atividade era que observassem a mistura de cores do céu formada pelo artista, identificassem algumas delas e tentassem reproduzir esta técnica com giz-de-cera. Depois que o céu estivesse pronto, poderiam colorir todo o resto da obra da forma que mais lhe agradassem e pintar o lago com aquarela.

Observação de expressões faciais no espelho
Enquanto alguns concluíam suas pinturas, passei espelhos para que as crianças tentassem imitar a obra e observassem seus reflexos. Assim que estivessem satisfeitos com suas expressões, tiramos fotos que seriam coladas no cenário.

Obras finalizadas, com as molduras em papel colorido
Para finalizar, recortei tiras de papel colorido para formar as molduras das obras e expus em uma caixa de papelão forrada, no dia da Mostra Cultural. Foi muito gratificante observar as crianças apreciando as pinturas e fotos dos colegas, compartilhando com a família e ainda relembrando um pouco sobre o artista e a história da obra!

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