20 janeiro 2021

A mídia anticapacitista: Produções audiovisuais protagonizadas por pessoas com deficiência

Aproveitando o clima de férias, resolvi assistir filmes, documentários e séries que abordam a temática da pessoa com deficiência para ajudar os educadores e educadoras a construírem uma base melhor sobre o assunto. Afinal, quem está em busca de melhoras em sua prática de ensino precisa ir atrás de informação de qualidade, né?

Quando a mídia escolhe retratar a vida de uma pessoa com deficiência, deve fazer isso de modo a contribuir para a humanização da PCD e não para reforçar estereótipos capacitistas (conheça mais sobre o termo neste post). Muitas produções têm surgido nos cinemas e nos grandes streamings sobre o assunto, e isso é muito legal - porque até alguns anos atrás era algo impensável. 

Você pode até se lembrar daquela novela Viver a Vida (que foi ao ar na Globo em 2009 e tinha a atriz Aline Moraes como tetraplégica) e falar: “esse foi meu primeiro contato com um relato anticapacitista!”... Mas não foi! Por isso, ao procurar material sobre o assunto, descartei todas as referências que apelam para a questão da superação e preferi algo mais próximo do real. 

Mas antes de começar a lista, é importante apresentar outro conceito, para que entendam a profundidade da minha análise: cripface é a denominação dada àquelas produções que retratam a temática PCD, mas escolhem atores sem deficiência para viver esses papéis - os fãs de Viver a Vida choram nesse momento, porque a novela era um cripface capacitista! Hahahaha! 😝Esse é um conceito que eu descobri recentemente, graças à influenciadora, modelo, atriz (e amiga) Maria Paula Vieira, que faz uma crítica à presença do cripface na indústria cinematográfica, que necessita abraçar a diversidade de uma forma mais direta:

Assim, minha lista tem 7 indicações mais alternativas com atores e atrizes com deficiências reais. E, mesmo que algumas delas ainda tenham problemas no discurso (como o conceito equivocado de que pessoas com deficiência preferem se relacionar apenas com outras PCDs), vale a pena conferir!

Série: Special (2019) - Netflix

Um jovem gay e com uma leve paralisia cerebral decide recomeçar sua vida e fazer tudo aquilo que sempre desejou, mas adiava: conquistar o primeiro emprego, morar sozinho e longe da mãe controladora e começar um relacionamento amoroso. Mas realizar esses sonhos tem um custo: se passar por vítima de um acidente.

Reality Show: Amor no Espectro (2019) - Netflix

Amor no Espectro acompanha um grupo de adultos solteiros no espectro do autismo enquanto exploram o mundo do namoro. Enquanto tentam encontrar o amor, 11 encontros rápidos ou às cegas são marcados e os personagens principais mostram como lidam com namoros, amigos e familiares.

Filme: 37 Segundos (2020) - Netflix

Yuma Takada (Mei Kayama) é uma jovem japonesa que possui o sonho de ser uma artista consagrada de mangás, mas vê em sua paralisia cerebral um obstáculo extremamente difícil de ultrapassar. Dividida entre as suas obrigações com a família e as suas aspirações cotidianas, ela se esforça o máximo para se manter sem a ajuda dos outros e acaba descobrindo que muitas aventuras a esperam pelo mundo.

Reality Show: Além do Som (2020) - Netflix

Além do Som gira em torno de um grupo de jovens surdos ou com deficiências auditivas que frequenta a Universidade Gallaudet, em Washington D.C. - é a única no mundo a ter um programa voltado à deficientes auditivos! Os episódios acompanham a rotina de uma comunidade de universitários como qualquer outra: todos eles enfrentam altos e baixos, ora no percurso acadêmico, ora nas relações interpessoais.

Documentário: Meu Nome é Daniel (2019) - TVZero

Daniel Gonçalves nasceu com uma deficiência que nenhum médico foi capaz de diagnosticar. Por meio de imagens de arquivo da família, cenas atuais, histórias e reflexões é possível conhecer as questões que fazem parte da vida de um homem com deficiência.

* Disponível para comprar ou alugar no Youtube.

Documentário: A Pessoa é Para o que Nasce (2005) - TVZero

Três irmãs cegas. Unidas por esta incomum peripécia do destino, Regina, Maria e Conceição viveram toda sua vida cantando e tocando ganzá em troca de esmolas nas cidades e feiras do Nordeste do Brasil. Em um retrato cheio de brasilidade e beleza, as “Ceguinhas de Campina Grande”, vivem reviravoltas emocionantes em sua trajetória.  

Filme: Colegas (2013) - Europa Filmes

O longa conta a história de três amigos com síndrome de Down: Stalone, Aninha e Márcio. Os três fogem no carro do jardineiro (Lima Duarte) em busca de seus sonhos: Stalone quer ver o mar, Marcio quer voar e Aninha busca um marido. O personagem Marcio é interpretado por Breno Viola, de 33 anos, que foi o primeiro faixa preta de judô com síndrome de Down nas Américas.

Extra: Outras produções que abordam o tema

Vale frisar que, embora infelizmente entrem na categoria cripface, três produções que abordam a temática PCD e julgo que têm um bom roteiro são: Atypical (2017), série da Netflix que relata o cotidiano de um jovem autista; Margarita com Canudinho (2014), filme da Netflix que apresenta a história de uma jovem com paralisia cerebral que é bixessual e vive uma bonita jornada de autoconhecimento e aceitação; e o filme The Sound of Metal (2020), disponível na plataforma Amazon Prime, que conta a história de um baterista e ex-viciado em heroína que começa a perder a audição.

Resenha do canal YamaTV sobre The Sound of Metal

Depois de tantas sugestões incríveis, o que não vai faltar é opção para se divertir e aprender sobre inclusão nas férias, né? Até a próxima! 😀



Um comentário:

  1. Maravilhoso texto e indicações! Realmente muto importante para o educador saber sobre o capacitismo e se inspirar para boas práticas ♥️

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